BBA adota postura mais conservadora e corta recomendação da Boa Safra para neutro

O Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da Boa Safra (SOJA3) de outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para
market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro), com preço-alvo de R$ 10, refletindo uma abordagem mais conservadora para o setor no curto prazo. Às 12h40 (horário de Brasília), os papéis SOJA3 caem 2,50%, a R$ 8,57, nesta segunda-feira (19).

Um longo período de preços baixos da soja tem sido um fator crítico para a dinâmica dos insumos agrícolas. Em resposta, os volumes, preços e mix de sementes de soja têm enfrentado dificuldades em toda a cadeia de suprimentos, afetando, em última análise, a maioria das recomendações do banco no setor.

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No geral, o banco continua otimista com as perspectivas da Boa Safra e do segmento de sementes no longo prazo, mas prefere aguardar em segundo plano enquanto o setor atravessa um ciclo desafiador de curto prazo, principalmente aguardando: i) a redução da margem de lucro na cadeia de suprimentos; e ii) obter maior visibilidade sobre as recentes ações da Boa Safra para recuperar a rentabilidade, justificando, por ora, sua visão neutra sobre a empresa.

Analistas acreditam que, daqui para frente, compreender esse equilíbrio entre uma abordagem mais focada na eficiência e uma estratégia de crescimento da receita, como observado no último ano, poderá gerar um novo fator de criação de valor para a tese de investimento de curto prazo da Boa Safra, que será acompanhada de perto.

Estimativas em baixa

Segundo estimativas, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve cair 32% para o ano fiscal de 2026 e 40% para o ano fiscal de 2027.

Nesse cenário mais conservador, o banco vê a Boa Safra negociando a um múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) estimado para 2026 de aproximadamente 10 vezes, o que pode levar os investidores a permanecerem cautelosos durante esse período de ajuste, em meio a um ambiente desafiador na cadeia de suprimentos do agronegócio brasileiro.

Além disso, o BBA projeta um impulso limitado no curto prazo, dada a sazonalidade e o alto custo do capital próprio – a visibilidade deve melhorar por volta do terceiro trimestre de 2026, quando as discussões sobre a empresa poderão ser retomadas.

Foco em eficiência operacional e disciplina de preços

Em sua reunião com o CEO Marino Colpo e o CFO Felipe Marques, a administração reforçou seu foco na eficiência operacional e na disciplina de preços. A empresa pretende alavancar sua participação de mercado atual e fortalecer o posicionamento da marca, mantendo uma postura conservadora em relação à expansão da capacidade e à alocação de capital de giro.

Nesse sentido, o BBA considera essa uma abordagem construtiva diante dos desafios externos que a cadeia de suprimentos do agronegócio vem enfrentando.

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