Dólar caminha para pior semana no mundo desde junho com ‘pesadelo americano’

O dólar caminha para registrar sua pior semana desde junho, com a imprevisibilidade da condução da política nos Estados Unidos pressionando a moeda frente a outras divisas às vésperas da reunião do Federal Reserve na próxima semana.

O índice Bloomberg Dollar Spot recuou para a mínima em três semanas nesta sexta-feira (23) e acumula queda de 0,8% em cinco dias. Operadores de opções passaram a pagar um prêmio para se proteger contra novas perdas do dólar no próximo mês — uma reversão brusca em relação à semana passada, quando o sentimento altista em relação à moeda americana era o mais forte desde novembro.

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Os investidores foram sacudidos ao longo da semana depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, primeiro ameaçou impor tarifas à Europa no contexto de sua tentativa de obter a Groenlândia e, em seguida, abandonou a ideia de forma abrupta após fechar um acordo com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

O fato de o dólar estar em queda — mesmo com a alta dos rendimentos dos Treasuries, diante de apostas de que uma economia resiliente levará o Fed a manter os juros — sugere que os riscos políticos têm peso maior para a moeda do que a política monetária.

“A distribuição dos retornos do dólar em 2026 quase certamente deve estar fortemente enviesada para o lado negativo neste momento”, escreveu em nota Brent Donnelly, presidente da Spectra Markets e ex-operador de câmbio. “O mundo está percebendo que o pesadelo da política dos EUA não acabou.”

Os mercados de juros precificam dois cortes de 0,25 ponto percentual nas taxas ao longo deste ano e atribuem probabilidade quase nula a uma mudança já na próxima semana. A volatilidade de uma semana, que incorpora a decisão de política monetária do Federal Reserve em 28 de janeiro, subiu para o maior nível em mais de um mês.

Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA ficaram praticamente estáveis na semana passada, mantendo-se em níveis baixos após a volatilidade do período de festas, segundo dados do Departamento do Trabalho divulgados na quinta-feira. Os pedidos iniciais aumentaram em 1.000, para 200.000, na semana encerrada em 17 de janeiro, enquanto a mediana das projeções em pesquisa da Bloomberg com economistas apontava para 209.000.

“O otimismo com o mercado de trabalho dos EUA ainda não é uma ameaça à nossa visão moderadamente pessimista para o dólar”, disse Pat Locke, estrategista de câmbio do JPMorgan em Nova York. “Os riscos associados a eventos de política nos EUA também inclinam o balanço para uma visão negativa para o dólar nas próximas semanas.”

Em um sinal de para onde a atenção dos traders pode se voltar em seguida, Trump afirmou que concluiu as entrevistas com candidatos para assumir a presidência do Fed e reiterou que já tem um nome em mente para o cargo.

©️2026 Bloomberg L.P.

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