Sell America seguirá? Ibovespa inicia semana em compasso de espera após mais recordes

O benchmark da Bolsa brasileira – Ibovespa – fechou a última sexta-feira (23) na casa dos 178.859 pontos, com novos recordes, acumulando alta de 8,5% em reais e 10,3% em dólares. Já nesta segunda-feira (26), após abrir em alta, o índice passou a alternar entre leves perdas e ganhos: às 10h23 (horário de Brasília), os ganhos eram de 0,03%, a 178.910 pontos.

A expectativa segue positiva, dando sequência ao movimento recente nos mercados acionários, apelidado de “Sell America” entre muitos investidores, avalia a Ágora Investimentos. Assim, diante da maior aversão a risco acontece a intensificação da saída de ativos americanos.

“Apesar de cinco altas consecutivas e um ambiente que sugira a realização dos lucros por aqui, essa dinâmica global de fluxos pode sustentar mais um ganho para o Ibovespa neste início de semana”, destacou a equipe em relatório antes da abertura dos mercados.

O JPMorgan aponta que o Brasil entra em 2026 como um dos mercados emergentes mais observados, com os novos recordes refletindo fluxos extraordinários.

Para o futuro, há dois principais fatores desencadeadores: o esperado ciclo de cortes na taxa de juros e a próxima eleição presidencial.

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“O Banco Central provavelmente começará a cortar as taxas em março, com uma redução total de 350 pontos-base prevista para o ano. Historicamente, o mercado brasileiro tem respondido bem aos ciclos de afrouxamento monetário, mas esta é a primeira vez que o país enfrenta cortes de juros simultaneamente a eleições. Taxas mais baixas devem impulsionar setores como o industrial, o de serviços públicos, o financeiro e o imobiliário. Ao mesmo tempo, a eleição presidencial em outubro adiciona uma camada de volatilidade”, avalia a equipe de estratégia do JPMorgan.

O banco aponta que o presidente Lula concorre à reeleição, mas a oposição permanece dividida e a visibilidade é incerta até pelo menos abril. “As pesquisas atuais mostram Lula na liderança, mas ele também enfrenta altos índices de rejeição, enquanto o senador Flávio Bolsonaro ganha terreno. Diante desse cenário, a estratégia recomendada é focar em grandes empresas de alta qualidade e evitar assumir grandes riscos. Recomenda-se aos investidores que sejam pacientes e seletivos, pois a volatilidade provavelmente permanecerá alta até que haja mais clareza no cenário político”, ressalta.

O Bradesco BBI reforça que o cenário global permanece positivo, à medida que o “excepcionalismo americano” [ideia dos EUA como um país único e até mesmo superior] continua a perder força, impulsionando uma nova rotação para mercados emergentes.

Neste cenário, o interesse dos investidores no Brasil supera em muito sua participação de 4% no MSCI de emergentes, considerando sua liquidez, avaliação e assimetria. “O Brasil é nossa principal escolha, com exposição overweight (acima da média) com a proximidade do ciclo de afrouxamento monetário e a continuidade do apoio global, focado em setores sensíveis a taxas de juros, mercados de capitais e empresas estatais”, aponta.

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Para os analistas do BBI, a narrativa mudou das taxas de juros para as eleições: “o campo de concorrentes [eleitorais] e, acima de tudo, a perspectiva fiscal é fundamental para a durabilidade da estrutura macroeconômica do Brasil”.

Enquanto isso, avalia o BBI, os EUA são cada vez mais percebidos como um “mercado emergente populista”. Essa comparação — antes anedótica — tornou-se mais comum entre os investidores, desde a pressão política sobre o Federal Reserve até a sinalização de políticas que se assemelha ao antigo intervencionismo no estilo dos mercados emergentes.

Para os mercados emergentes, essa mudança é amplamente favorável: aumenta a probabilidade de um DXY (índice de moedas frente os emergentes) mais fraco, taxas de juros americanas mais acomodativas e amplia os horizontes dos alocadores americanos fora dos EUA – especialmente após o forte desempenho superior dos mercados emergentes em 2025, aponta.

Neste sentido, olhando mais para o curto prazo, nesta semana, no front econômico, o foco recai sobre o Federal Reserve, que inicia sua reunião de dois dias amanhã (27). O consenso aponta para a manutenção das taxas, mas a atenção volta-se ao tom do comunicado e à coletiva de Jerome Powell. “Há uma percepção de que o banco central pode adotar postura cautelosa diante da volatilidade geopolítica e da resiliência dos dados de inflação e emprego”, avalia a Monte Bravo.

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