Morgan Stanley rebaixa recomendação de CPFL para venda por avaliação pouco atrativa

O Morgan Stanley rebaixou a recomendação de CPFL (CPFE3) de equal-weight (exposição igual a média do mercado, equivalente à neutro) para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda), citando uma relação risco-retorno pouco atrativa, catalisadores positivos limitados no curto prazo e dividendos menos atraentes.

A ação da companhia elétrica acumula alta de cerca de 75% nos últimos 12 meses, superando o Ibovespa (IBOV) e o Índice de Energia Elétrica (IEE) em 32 e 14 pontos percentuais, respectivamente.

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Segundo o banco, o forte desempenho decorreu do valuation atrativo há um ano, de uma perspectiva de dividendos superior à dos pares em 2025, de desfechos positivos em ativos contingentes (como autonegociação e ressarcimento por cortes de geração) e do perfil defensivo em meio a um cenário macroeconômico e político volátil.

Por outro lado, o preço-alvo foi elevado de R$ 40 para R$ 48, refletindo principalmente: i) extensão do horizonte de valuation para o fim de 2026, ante fim de 2025 (+R$ 6 por ação); ii) desfecho positivo em ativos contingentes (+R$ 1,5 por ação); e iii) projeções operacionais ligeiramente mais altas no médio prazo (+R$ 0,5 por ação).

Valuation pouco atrativo

Com um potencial de queda de 13% em relação ao novo preço-alvo de R$ 48 por ação e uma das menores taxas internas de retorno (TIR) real do capital próprio entre as empresas cobertas, em 7,4% reais, abaixo do custo de capital da CPFL e sem prêmio de risco acionário (ante média histórica de cerca de 360 pontos-base), o banco vê pouca atratividade nos papéis da empresa.

Além disso, o perfil risco-retorno é considerado desfavorável, com relação bull/bear de cerca de 0,5 vezes, frente à média de 1,0 vezes dos pares.

Catalisadores em grande parte já precificados

Embora a tese inclua eventos potencialmente favoráveis no curto prazo — como cerca de R$ 6 bilhões ligados a autonegociação, R$ 400 milhões em ressarcimento por cortes de geração e aproximadamente R$ 300 milhões em ganhos relacionados ao desconto em valores a pagar de concessões (UBP) — todos já estão contemplados no cenário base do banco, e os efeitos positivos parecem amplamente precificados no valuation atual.

Dividendos menos atraentes

Segundo o Morgan Staley, a CPFE3 deixou de oferecer o maior dividend yield (dividendo sobre o preço da ação) do universo de cobertura. Enquanto concorrentes reforçaram suas políticas de remuneração ao acionista no ano passado, como Eletrobras (ELET3) e Copel (CPLE3), com yields de um dígito alto a dois dígitos baixos, o retorno da CPFL caiu de níveis elevados para patamares médios de um dígito após a valorização da ação.

Morgan vê alternativas melhores que CPFL

Em um ambiente de turbulência macroeconômica, a CPFL se beneficia de características como gestão e operações de alta qualidade, baixa exposição a riscos do segmento de geração, presença em concessões maduras e de alta renda per capita na distribuição, alavancagem confortável (dívida líquida/EBITDA de 2,2 vezes no 3º trimestre de 2025) e geração robusta de caixa, permitindo equilibrar crescimento (plano de capex de cerca de R$17 bilhões até 2028) com dividend yield médio próximo de 6% em 2025-27, considerando payout de 70% a 80%.

Ainda assim, o banco vê alternativas com melhor risco-retorno, especialmente Copel (CPLE3), que oferece TIR real de 10,4% e dividend yield médio de cerca de 11% em 2026-27.

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