WEG: margens surpreendem, mas crescimento preocupa e ações caem após balanço do 4T

WEG

O tão aguardado resultado da WEG (WEGE3) foi divulgado na manhã desta quarta-feira (25), trazendo leituras distintas dos analistas de mercado. Com isso, às 10h25 (horário de Brasília), os papéis tinham leve queda de 0,66%, a R$ 51,09, depois de uma abertura em queda de mais de 2%.

A fabricante de motores elétricos registrou lucro líquido de R$ 1,59 bilhão no quarto trimestre do ano passado, queda de 6,3% em relação ao desempenho de um ano antes. O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 2,29 bilhões, representando recuo de 4% ano a ano, enquanto a margem nessa linha subiu a 22,4%, de 22,1% um ano antes.

A companhia atribui o “desempenho saudável” da margem operacional ao bom desempenho dos negócios de ciclo longo, aliado à manutenção da eficiência operacional.

Estimativas de analistas compiladas pela LSEG apontavam lucro líquido de R$ 1,61 bilhão com Ebitda de R$2,25 bilhões para a WEG no período.

A receita líquida caiu 5,3%, para R$ 10,25 bilhões, abaixo da média das previsões compiladas pela LSEG, de faturamento de R$ 10,63 bilhões. A receita encolheu 12,2% no mercado interno e 0,5% no exterior, quando calculada em real. Em dólar, a receita no mercado externo cresceu 7,8% em relação ao quarto trimestre de 2024.

Na visão da Ativa Investimentos, a WEG reportou um resultado fraco, conforme o esperado. A receita foi impactada pela queda em GTD (Geração, Transmissão e Distribuição) no mercado interno e uma demanda mais acomodada de forma geral. No exterior, a receita foi pressionada pela variação cambial no período. Apesar disso, a margem Ebitda veio acima do esperado, com bom controle de mix e eficiência em mitigar mudanças legislativas. O ROIC (retorno sobre capital investido) também foi acima do esperado, em 32,5% versus 30,0% estimado.

O Morgan Stanley ressaltou que o Ebitda do 4º trimestre da WEG ficou em linha com as expectativas do mercado, já que a receita abaixo do esperado foi compensada por margens maiores, embora o resultado final tenha ficado ligeiramente abaixo das expectativas.

Leia mais: 

“Acreditamos que os resultados do 4º trimestre devem ajudar a aliviar as preocupações do mercado com a rentabilidade, mas levantarão questionamentos sobre o crescimento”, apontou o Morgan, que tem recomendação underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda) para o ativo.

O JPMorgan também apontou em relatório antes da abertura que projetava uma reação negativa na sessão de negociação de hoje pós 4T25, apesar das expectativas moderadas, já que o crescimento do LPA (Lucro por Ação) ficou negativo (-6% ano a ano) pela primeira vez desde o 4º trimestre de 2017 (excluindo o 4º trimestre de 2024), quando a ação era negociada a cerca de 20 vezes o múltiplo de P/L (Preço/Lucro) contra cerca de 30 vezes agora. O banco ponderou, por sua vez que, nos últimos 5 dias, a ação caiu 4%, enquanto o Ibovespa registrou alta de 3%. O Goldman Sachs também apontou um lucro abaixo do esperado, o que implica em espaço para revisões negativas.

Já para o Itaú BBA, o resultado foi positivo. “O tão aguardado pior trimestre da década finalmente chegou e… foi melhor do que o esperado”, ressaltou o banco, que acreditava em uma reação positiva hoje, após o recente desempenho abaixo do esperado, vendo agora algum risco de alta nas estimativas para 2026.

O banco reforça que as margens foram a grande surpresa, com o Ebitda expandindo 30 pontos-base em relação ao ano anterior e 20 pontos-base em relação ao trimestre anterior, ficando totalmente oposto à queda de 90 pontos-base que tinha em seu modelo ou à contração de 70 pontos-base esperada pelo mercado, possivelmente favorecida por uma melhor composição e preços mais altos na Europa Oriental e Oriental.

“O resultado final ficou em linha com nossas estimativas (3% abaixo do mercado). Mantemos nossa recomendação de compra para a WEG, que continua entre nossas principais escolhas”, conclui o BBA.

Analistas do Citi destacaram que a WEG continua sendo uma empresa de alta qualidade, com crescimento consistente e vantagens estruturais. Mas, acrescentaram, o crescimento no curto prazo segue pressionado pela menor atividade em solar/eólica e efeito cambial.

“Em nosso modelo atual, projetamos aceleração de receita ao longo de 2026, mas ainda em patamar de dígito alto simples no consolidado do ano”, afirmaram Andre Mazini e equipe em relatório.

(com Reuters)

The post WEG: margens surpreendem, mas crescimento preocupa e ações caem após balanço do 4T appeared first on InfoMoney.

Mais Notícias

Solicite uma proposta

Receba uma proposta personalizada para atender às suas necessidades financeiras. Nossa equipe está pronta para oferecer a melhor solução, seja para a antecipação de recebíveis ou para investimentos em debêntures. Estamos aqui para ajudar você a alcançar seus objetivos com segurança e eficiência.