O que é o efeito HALO e por que 10 ações brasileiras “pé no chão” podem sair ganhando

A euforia com inteligência artificial deu lugar a uma triagem mais rigorosa no mercado de ações. Depois de um período em que ativos ligados à IA foram comprados de forma quase indiscriminada, investidores passaram a reavaliar quais modelos de negócio são mais vulneráveis à automação.

É nesse contexto que ganhou força o chamado efeito HALO, sigla para High Assets, Low Obsolescence, que caracteriza empresas com muitos ativos físicos e baixo risco de saírem do mapa por conta da IA.

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A reação mista dos investidores reflete as incertezas persistentes sobre as perspectivas para a inteligência artificial

A principal preocupação está concentrada em software e serviços de tecnologia, com a avaliação de que se ferramentas de IA reduzirem de forma relevante o custo de desenvolver e escalar aplicações, as barreiras de entrada diminuem, elevando o risco de substituição e compressão de margens.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, disse na quarta-feira (25) que o temor não está correto porque a IA, em tese, trabalhará junto com esses softwares. Mas o mercado já busca alternativas para se proteger.

“À medida que o posicionamento é desmontado em nomes digitais congestionados e realocado para ativos mais duráveis, esperamos que exposições HALO — particularmente em mercados emergentes intensivos em ativos — apresentem desempenho relativo superior”, avalia o Santander em relatório publicado na quarta.

As ações brasileiras que podem sair na frente

Olhando para essa nova tendência, o Santander criou um ranking setorial que se beneficia dessa estratégia, e que coloca utilities e energia no topo da capacidade de resiliência ao risco de obsolescência. Software e mídia aparecem nas últimas posições.

A metodologia considera quatro pilares: intensidade de ativos, vulnerabilidade de receita à IA, risco de desintermediação e força de barreiras regulatórias ou de capital.

Ao aplicar o indicador aos principais índices globais, o Ibovespa e o MSCI Brazil aparecem entre os mercados com melhor combinação de pontuação HALO e múltiplos mais baixos.

Leia mais: As ações à prova do risco de ruptura pela IA, segundo o Goldman Sachs

Segundo o Santander, a composição da Bolsa brasileira, com peso relevante em energia, utilities, materiais e concessões, tende a ser menos exposta à automação cognitiva e à desintermediação tecnológica. “Acreditamos que não são negócios que desaparecem porque um grande modelo de linguagem fica mais inteligente”, diz o banco.

O banco também montou uma cesta de ações brasileiras alinhadas à tese HALO. Ela é composta pelos seguintes papéis:

O que pode inverter o movimento

O Santander ressalta que o principal risco para a tese é a IA se mostrar predominantemente geradora de produtividade, e não destruidora de margens. Nesse cenário, o fluxo poderia retornar para empresas de crescimento e modelos mais escaláveis.

Queda de juros reais, melhora de liquidez global e maior apetite a risco também tenderiam a favorecer ações de maior duração.

“Não acreditamos que seja um êxodo do crescimento. É mais uma recalibração.”

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