Petroleiras lucraram ao menos US$ 23 bi extras com alta do petróleo, diz levantamento

A disparada do petróleo ao longo do período em que o Estreito de Ormuz esteve bloqueado garantiu a petroleiras US$ 23 bilhões de lucros adicionais apenas no primeiro mês de conflito no Oriente Médio. A informação, levantada pela organização Global Witness para o jornal The Guardian, com base em dados da consultoria Rystad Energy, leva em conta os resultados das 100 maiores empresas de petróleo e gás do mundo.

O Irã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego comercial nesta sexta-feira (17), quase dois meses após o início da guerra. A passagem marítima, responsável por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e gás, havia sido parcialmente bloqueada, pressionando os preços da energia. Como o estudo considera apenas os 30 dias iniciais, portanto, os ganhos das petroleiras podem ter sido muito maiores.

Entre as empresas com maior exposição ao ciclo de alta estão a Saudi Aramco, ExxonMobil, Chevron e a russa Gazprom. A Petrobras (PETR4) também aparece na lista, com a estimativa de até US$ 8 bilhões em ganhos adicionais até dezembro de 2026 se o cenário de bloqueio se mantivesse.

Com a normalização do fluxo, as cotações do petróleo recuaram com força. O barril do tipo WTI para maio caiu mais de 9%, sendo negociado a US$ 85,33, enquanto o Brent recuou para US$ 90,69. O movimento também se refletiu nos ativos brasileiros, com o dólar cedendo para R$ 4,95 as taxas de juros recuando com força.

A reação ocorre após semanas de forte volatilidade no mercado de energia. Durante o auge das tensões, o fechamento da rota marítima elevou o preço médio do barril para cerca de US$ 100 em março, ampliando os custos globais de combustíveis e pressionando economias dependentes da importação.

O impacto da escalada dos preços não se restringiu ao setor corporativo. Governos de diferentes países adotaram medidas para conter o repasse ao consumidor final, incluindo cortes de tributos sobre combustíveis. Iniciativas desse tipo foram observadas em economias como Brasil, Itália e África do Sul, com efeitos diretos sobre a arrecadação pública.

Além das empresas, países exportadores também ampliaram receitas. A Rússia, por exemplo, registrou vendas diárias de petróleo na casa de US$ 840 milhões em março, avanço de cerca de 50% em relação ao mês anterior.

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