
As ações da Intel atingiram o maior nível de sua história depois que a fabricante de chips apresentou uma previsão de vendas que superou amplamente as expectativas de Wall Street.
A receita deverá ficar entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões no trimestre de junho, informou a companhia nesta quinta-feira em um comunicado. Analistas estimavam em média US$ 13 bilhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
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As ações da Intel chegaram a disparar 28%, para US$ 85,22, após o início das negociações nesta sexta-feira em Nova York. O papel já acumulava alta de 81% no ano antes da divulgação do relatório.
A perspectiva positiva sugere que o diretor-presidente (CEO), Lip-Bu Tan, está avançando em um plano de recuperação que busca posicionar a fabricante de chips para se beneficiar da expansão da computação em inteligência artificial. Depois de garantir grandes investimentos na Intel no ano passado — ajudando a fortalecer o balanço da empresa — ele agora está entregando a promessa de melhorar as operações.
“Todo mundo está começando a direcionar pedidos para a Intel, e acho que ainda estamos no começo”, disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital e investidor da Intel, à Bloomberg Television. “Saímos da desolação para a euforia em um período muito curto.”
O governo dos EUA obteve um ganho significativo após anunciar um investimento em agosto, segundo cálculos da Bloomberg. Depois de concordar em comprar ações a US$ 20,47, num total de cerca de US$ 8,9 bilhões, a posição do governo norte-americano agora vale mais de US$ 36,9 bilhões no papel. Os contribuintes são donos de mais de 270 milhões de ações, enquanto parte delas permanece em uma conta de custódia à espera de recursos adicionais de um programa pelo qual o governo obtém produção segura de chips para necessidades militares. No entanto, todas as ações constam no balanço da Intel, conforme as regras da Securities & Exchange Commission.
Atendendo à demanda
O relatório de resultados mostra que a necessidade de chips para data centers capazes de sustentar a enorme expansão da IA está impulsionando a demanda pelos processadores de servidor Xeon, carro-chefe da Intel. Esse tipo de semicondutor generalista — a unidade central de processamento, ou CPU — voltou a ser foco para empresas que tentam transformar seu software de IA em serviços que gerem receita.
Em entrevista, Tan disse que a Intel entregou um “resultado sólido”, acima de suas próprias projeções. Ele espera que a forte demanda por processadores usados em sistemas de IA continue crescendo e afirmou que a empresa está “totalmente focada” em aumentar a produção nas fábricas da Intel, que ainda não conseguem produzir o suficiente para atender a todos os pedidos.
“Há uma demanda enorme”, disse Tan. “Estamos trabalhando muito com nosso time para garantir que conseguimos entregar, que atendemos essa demanda, mas ainda estamos em falta porque a demanda continua aumentando por parte dos clientes.”
Por enquanto, a Intel também conseguiu contornar outro desafio enfrentado pela indústria de PCs: a escassez de chips de memória.
A demanda aquecida por produtos para servidores atraiu os fornecedores de memória a concentrarem-se nos processadores de alta velocidade para essas máquinas. Isso reduziu a produção de produtos padrão usados em celulares e computadores pessoais, o que significa que menos desses dispositivos de massa estão sendo fabricados e que os preços estão subindo.
Além de avançar na produção, Tan restaurou o balanço da Intel por meio de investimentos externos — a ponto de a companhia recomprar parte de uma fábrica na Irlanda que havia sido forçada a vender para levantar caixa.
A compra foi interpretada pelos investidores como um sinal de confiança no futuro. Reforçando o otimismo, o CEO da Tesla Inc., Elon Musk, disse na quarta-feira que usará tecnologia da Intel como parte de seu esforço para construir uma fábrica interna de chips. Tan preferiu não fornecer mais detalhes sobre o relacionamento.
Lucros
O lucro por ação no segundo trimestre será de cerca de US$ 0,20, excluindo alguns itens, disse a Intel. Isso se compara a uma previsão de Wall Street de US$ 0,09.
No primeiro trimestre, encerrado em 28 de março, a receita aumentou 7%, para US$ 13,6 bilhões. O lucro foi de US$ 0,29 por ação, excluindo alguns itens. Analistas estimavam, em média, vendas de US$ 12,4 bilhões e lucro de US$ 0,01 por ação, segundo dados compilados pela Bloomberg.
A margem bruta — porcentagem da receita que permanece após a dedução dos custos de produção — foi de 41% no trimestre, em base ajustada. Quando a Intel estava no auge, costumava reportar margens acima de 60%. A empresa projeta uma margem de 39% para o período atual.
A Intel vai gastar mais do que havia orçado originalmente em novos equipamentos de produção, segundo o diretor financeiro (CFO) Dave Zinsner. A companhia tem bastante espaço fabril e vai adicionar mais máquinas para ocupá-lo, disse ele. Os investimentos em capital (capex) agora ficarão aproximadamente estáveis em relação ao ano passado. Antes, a Intel havia informado que planejava reduzir esses gastos.
Uma “empresa diferente”
A companhia, sediada em Santa Clara, Califórnia, ainda tem um longo caminho a percorrer para recuperar sua antiga posição de destaque na indústria de chips. Sua receita anual de US$ 53 bilhões no ano passado ficou cerca de US$ 25 bilhões abaixo do pico, registrado em 2021. Wall Street projeta crescimento de 3% em 2026.
A divisão Intel Foundry Services — a unidade de fábricas da empresa — gerou receita de US$ 5,4 bilhões, alta de 16%. Essa unidade atualmente depende quase exclusivamente das divisões de produtos da própria Intel para obter pedidos, embora esteja buscando clientes externos. Sua divisão de chips para PCs teve receita de US$ 7,7 bilhões, e a unidade de data centers registrou vendas de US$ 5,1 bilhões. Todos esses números superaram as estimativas de Wall Street.
Até agora, a Intel não conseguiu lançar o tipo de acelerador de IA que transformou a Nvidia Corp. na empresa mais rica do setor de chips e na companhia de capital aberto mais valiosa do mundo. A Nvidia e outras rivais agora estão dedicando mais esforços à produção de microprocessadores necessários para orquestrar o trabalho realizado em data centers de IA. Esse tipo de computação foi, por muito tempo, domínio da linha Xeon da Intel, que já teve participação de mercado superior a 99%.
Tan afirmou que a Intel hoje é uma “empresa fundamentalmente diferente” em relação ao ano passado, quando ele assumiu como CEO.
“Um ano atrás, a conversa sobre a Intel era se conseguiríamos sobreviver”, disse ele. “Hoje, é sobre quão rápido podemos adicionar capacidade de fabricação e ampliar nossa oferta para atender à enorme demanda por nossos produtos.”
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