GPA (PCAR3): ação chega a disparar após acordo de repactuação de dívidas com credores

Pão de açúcar supermercado loja varejo

As ações do GPA (PCAR3) disparavam nesta quarta-feira (6), após o dono da rede de supermercados Pão de Açúcar divulgar uma nova versão do seu plano de recuperação extrajudicial, já aceita por 57,5% dos credores, o que o tornará vinculante após homologação judicial. Às 10h12 (horário de Brasília), os papéis subiam 7,72%, cotados a R$ 2,93.

Na avaliação do JPMorgan, o acordo permite que o GPA comece a pagar a maior parte da dívida renegociada apenas a partir de 2031, dando fôlego para a reestruturação operacional e o reequilíbrio do balanço.

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Apesar de positivo do ponto de vista operacional, o JPMorgan destaca que o plano abre espaço para uma diluição relevante dos acionistas. Em uma estimativa preliminar, caso os cerca de R$ 1,1 bilhão em debêntures conversíveis sejam integralmente emitidos e convertidos, isso poderia resultar na emissão de aproximadamente 400 milhões de novas ações, o equivalente a cerca de 80% da base atual.

Os próximos passos envolvem a homologação judicial do plano, que o tornará obrigatório para todos os credores incluídos. Com as ações negociando a 6,2 vezes o EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA) estimado para 2026, o JPMorgan mantém recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado, equivalente à venda).

Duas opções

Em linhas gerais, dos cerca de R$ 4,5 bilhões em passivos incluídos no plano, a companhia pretende reduzir o montante para aproximadamente R$ 2,1 bilhões. O acordo oferece duas alternativas aos credores:

A Opção A prevê a emissão de (i) até R$ 1,5 bilhão em novas debêntures, com remuneração de CDI + 2,5%, carência de dois anos (até 2028) e vencimento em cinco anos (2031); e (ii) uma segunda série de até cerca de R$ 1,1 bilhão em debêntures conversíveis em ações PCAR3, com quatro janelas de conversão (1º semestre de 2027, 2029, 2030 e 2031), a um desconto de 20% sobre o preço médio ponderado por volume (VWAP) de 90 dias, além de lock-up de 50% por seis meses e 50% por 12 meses.

Para aderir a essa opção, os credores precisam aportar novos recursos na companhia, seja via dívida, financiamento de fornecedores, entre outros, até um limite agregado de R$ 200 milhões.

Já a Opção B é destinada aos credores que desejam aderir ao plano, mas sem aportar novos recursos. Nesse caso, a empresa oferece uma debênture com taxa de conversão que implica um haircut de 70%, remunerada apenas pelo CDI, com vencimento em 2036 e sem opção de conversão em ações.

Segundo a administração, caso a demanda por alguma das opções supere o limite estabelecido, a alocação será feita de forma proporcional entre os credores.

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