Casas Bahia: prejuízo de R$ 1 bi derruba ações apesar de melhora operacional no 1T

Consumidores conversam com funcionário da Casas Bahia em loja da rede em São Paulo

As ações da Casas Bahia (BHIA3) operavam com forte desvalorização nesta quinta-feira (14), após a varejista reportar prejuízo bilionário apesar de apresentar melhorias operacionais no trimestre. Às 11h35 (horário de Brasília), os papéis recuavam 7,84%, cotados a R$ 1,88.

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O Goldman Sachs avalia que a varejista apresentou resultados operacionais melhores do que o esperado no trimestre, embora o prejuízo líquido tenha aumentado no período.

Segundo o banco, a receita líquida ficou 2% acima das projeções da instituição, impulsionada principalmente pelo forte desempenho do canal online, cujo GMV (volume bruto de mercadorias) avançou 15% na comparação anual.

Apesar da maior participação das vendas 1P (estoque próprio) no mix do canal digital, a margem bruta avançou cerca de 10 pontos-base em relação ao primeiro trimestre de 2025, refletindo esforços da companhia para priorizar categorias com maior retorno. A relação entre despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) e receita também apresentou leve melhora, beneficiada pela alavancagem operacional.

Com isso, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) veio ligeiramente acima das estimativas do Goldman Sachs e do consenso.

Por outro lado, o Goldman Sachs destacou que o resultado líquido foi pressionado por despesas financeiras acima do esperado, mesmo considerando o ambiente de juros mais elevados. Além disso, a companhia teve impacto negativo relacionado ao imposto de renda, já que optou por não reconhecer ativos fiscais diferidos no trimestre diante do cenário macroeconômico desafiador.

O Goldman Sachs chamou atenção para a qualidade da carteira de crédito da varejista. A inadimplência acima de 90 dias subiu levemente, para 8,8%, mas os atrasos iniciais apresentaram deterioração mais relevante, com os chamados early-stage NPLs avançando cerca de 200 pontos-base em um ano, para 20,3%, indicador que o banco considera importante monitorar nos próximos trimestres.

O Goldman Sachs reitera recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 3.

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Para XP Investimentos, a Casas Bahia apresentou resultados operacionais positivos no primeiro trimestre, com receitas e EBITDA acima das estimativas, embora o resultado final tenha permanecido pressionado por elevadas despesas financeiras, com algumas melhorias sequenciais, e pela ausência de reconhecimento de impostos diferidos.

As vendas diretas (1P) continuaram sendo o destaque após a parceria com a MELI, compensando o fraco desempenho em vendas diretas (B&M) e em vendas indiretas (3P), o que, juntamente com a melhoria do lucro bruto (MG), resultou em um EBITDA ajustado 5% acima do esperado.

A XP manteve recomendação neutra, aguardando mais evidências de que a nova estrutura de capital se traduzirá em recuperação do resultado final, enquanto o cenário macroeconômico permanece pressionado.

O Morgan Stanley, por sua vez, afirmou que vê de forma positiva as iniciativas de reestruturação da dívida e as medidas operacionais adotadas pela companhia, mas avalia que ainda são necessários avanços adicionais para dar maior visibilidade ao caminho de geração de lucro líquido positivo.

O banco manteve recomendação de venda e preço-alvo de R$ 2,75.

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