Brasil não é protagonista dos temas globais, mas ações da B3 podem ganhar mesmo assim

Serra Grande Aura Minerals

O ano de 2025 foi marcado por alguns temas globais vencedores para o mercado, como ouro, metais estratégicos, defesa e inteligência artificial (IA). Conforme aponta análise do Santander, esses temas foram impulsionados por fatores como a crescente incerteza econômica, a transição energética e as tensões geopolíticas, que continuam moldando o cenário de investimentos.

Os ETFs [fundos de índices] de mineradoras de ouro e de terras raras tiveram desempenhos expressivos, com altas de 153% e 83%, respectivamente, refletindo a busca por proteção e a demanda por metais críticos para a tecnologia e energia limpa. O setor de defesa global também se destacou, com alta de 73%, impulsionado pelo aumento dos gastos militares em países desenvolvidos.

No campo da tecnologia, os ganhos em IA e semicondutores foram robustos, com crescimentos de 46% e 40%, respectivamente, sustentados pela adoção crescente da IA e suas promessas de ganhos de produtividade.

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O Santander destaca que, embora o Brasil não seja protagonista direto desses temas, empresas brasileiras podem se beneficiar dos efeitos indiretos. Ciclos globais de preços de commodities, rotação de investidores para valor e mercados mais atrativos e a demanda global por recursos naturais podem apoiar nomes locais selecionados. Aura Minerals (BDR: AURA33), Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3), Axia Energia (AXIA3;AXIA6), Copel (CPLE3), Hypera (HYPE3) e RD Saúde (RADL3) são algumas das companhias que devem aproveitar as tendências globais.

Confira abaixo os motivos:

  • Aura Minerals: exposição equilibrada a metais preciosos, com 78% da receita proveniente de ouro e 19% de cobre. O Santander mantém visão construtiva para o ouro, apoiada pelo aumento das compras dos países e pela demanda estrutural por investimento.
  • Embraer: a divisão de defesa deve se beneficiar das crescentes preocupações com segurança e defesa em países desenvolvidos, especialmente na Europa. Destacam-se o KC-390, avião de transporte militar avaliado em cerca de US$ 200 milhões por unidade, e o Super Tucano, mais barato (US$ 12-15 milhões), mas com uma das maiores margens EBIT do portfólio da Embraer.
  • WEG: deve se beneficiar da aceleração na geração, transmissão, distribuição e armazenamento de energia, impulsionada pelo consumo energético dos data centers de IA, sistemas de armazenamento e proteção. “Acreditamos que a WEG será peça-chave para viabilizar toda a infraestrutura necessária para o crescimento das iniciativas relacionadas à IA”, avalia o Santander.
  • Axia Energia | Copel: o Santander vê a Axia como principal beneficiária do aumento da demanda por energia no Brasil, já que a dinâmica mais apertada entre oferta e demanda pode elevar os preços de energia, e uma parte significativa do portfólio da empresa permanece sem contratos (cerca de 36% em 2027). A Copel também pode se beneficiar, pois tem uma parcela significativa de capacidade não contratada (26% em 2027).
  • Empresas de distribuição: o banco acredita que o aumento dos investimentos em data centers pode ser positivo para as distribuidoras. A maior demanda de grandes consumidores apoiaria a expansão do capex no curto e médio prazo, impulsionando o crescimento do RAB (base de ativos regulatórios) e a demanda por energia — impactando positivamente os reajustes tarifários.
  • Hypera: para a indústria farmacêutica local, a expiração da patente do semaglutida, prevista para março de 2026, pode acelerar o crescimento da receita nos próximos anos. “Acreditamos que a Hypera pode alcançar 6% de participação no mercado de semaglutida no Brasil até 2028. A redução do preço do semaglutida nas farmácias deve aumentar a acessibilidade e a adesão ao tratamento, representando uma oportunidade para o segmento aumentar receita, tráfego e vendas cruzadas”, avalia o Santander.
  • RD Saúde: na nossa visão, a RD está melhor posicionada para aproveitar a expiração da patente do semaglutida, dado seu significativo market share no Brasil (cerca de 16%), especialmente no estado de São Paulo (por volta de 30%), que concentra 25% do segmento de farmácias do país e onde reside a maior parte da população de renda mais alta. “Estimamos que as vendas de GLP-1 tenham representado 2,6% do EBITDA da RD em 2024, podendo superar 6% no período 2026-28”, aponta.

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