Ibovespa deve subir de novo e dólar cair com sinalização do BC, apontam analistas

Bolsa pregão def Ibovespa

O Ibovespa atingiu novos recordes de fechamento, acima dos 184 mil pontos pela primeira vez, enquanto o dólar fechou estável a R$ 5,20 nesta quarta-feira (28), em dia marcado pela decisão de juros do Federal Reserve às 16h (horário de Brasília). A expectativa de manutenção dos juros em 3,5% a 3,75% foi confirmada.

Na coletiva de imprensa que deu sequência ao anúncio, o presidente do Fed, Jerome Powell, descartou a ideia de que um aumento da taxa de juros possa estar à frente. Com a decisão do Fed sem surpresas, o Ibovespa manteve a tendência positiva após o anúncio, chegando a operar próximo das máxima de 185 mil pontos perto do fechamento do pregão, ainda embalado pelos fluxos para a bolsa.

Depois do fechamento, os olhos do mercado se voltaram para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil. O Copom também manteve a sua taxa básica de juros, no caso a Selic, que ficou em 15% ao ano, mas trouxe uma importante indicação que pode impulsionar – ainda mais – o mercado brasileiro.

O BC indicou que iniciará um ciclo de corte de juros em março, mas enfatizou que manterá “a restrição adequada” para levar a inflação à meta de 3%. O Copom disse que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para cumprir seu objetivo, prevendo uma “calibração do nível de juros” diante do ambiente de inflação menor e transmissão mais evidente da política monetária.

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A notícia é vista como positiva para a Bolsa brasileira, uma vez que o início de corte de juros é um dos pontos cruciais para catalisar mais ainda os ganhos do mercado acionário nacional. Isso já se refletia no pós-mercado da Bolsa de Nova York: às 19h40 (horário de Brasília), o EWZ, iShares MSCI Brazil, ETF (fundo de índice) que representa os ADRs (recibo das ações de empresas listadas na bolsa de NY) brasileiros, registrava alta de 1,33%, a US$ 38,84.

Para a próxima reunião, Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, espera corte de 25 pontos-base (ou 0,25 ponto, a 14,75% ao ano), levando em conta a sinalização do comitê ter citado “serenidade” para as próximas decisões.

“Devemos amanhã ter Bolsa subindo, dólar caindo e curva de juros fechando, já que o comitê deixou bem explícito que deve reduzir os juros na próxima reunião”, aponta Perri.

“A inflação segue acima da meta para este ano reforçando então que o corte deve ser paulatino, mantendo a Selic em patamar bastante contracionista. O Banco Central abre a porta, ou até eu diria que se compromete com um corte na próxima reunião, caso não haja nenhuma grande incerteza ou nenhum fator exógeno que mude radicalmente as perspectivas”, destaca o analista.

Lucca Macieira, analista de Mercado da Victrix Capital, também espera que a Bolsa brasileira possa reagir bem em consequência – principalmente – da comunicação do BC, que foi relativamente mais dovish (branda) do que o mercado esperava. “Esse fator deve sustentar o otimismo para Bolsa brasileira”, reforça.

Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, projeta continuidade de alta no Ibovespa até o fim do ano, especialmente com cortes sequenciais da Selic de março a dezembro, mirando os 12,5% do Focus.

“Embora a força de janeiro possa arrefecer, vemos potencial para 200 mil pontos. Isso se deve à concentração de 70% do Ibovespa em menos de 20 empresas; o restante precisa de forte alta para impulsionar o índice, com Petrobras [PETR3;PETR4] e Vale [VALE3] como principais motores nos últimos dois anos”, aponta Sigu.

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Macieira aponta que a curva de juros já refletia a leitura do comunicado: o mercado precifica manutenção agora e cortes a partir de março, com redução acumulada entre 250 e 275 pontos-base ao longo de 2026, levando a Selic para algo próximo de 12,5% ao fim do ciclo. “O foco desta reunião esteve menos na decisão e mais na comunicação, que confirmou um Banco Central cauteloso e sem pressa para flexibilizar, com ênfase de que o ciclo de flexibilização será cauteloso, com maior probabilidade de um primeiro corte de 25 pontos-base, e não de 50, como chegou a ser precificado pela curva”, complementa.

A XP Investimentos projeta cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p. (ponto percentual), levando a Selic a 12,50%. Em termos reais, a taxa básica ficaria em torno de 8,0%, ainda acima do que consideramos a taxa neutra, refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial.

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