Mais Médicos 3: qual efeito para ações de educação da Bolsa após MEC cancelar edital?

O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta terça-feira (10) uma portaria determinando o cancelamento do programa Mais Médicos 3, que tinha como objetivo criar 5.900 novas vagas em cursos de graduação em Medicina.

O Goldman Sachs vê o cancelamento como levemente negativo para as empresas sob sua cobertura, já que havia estimado anteriormente um potencial de alta de até 8% para Afya, 8% para Yduqs (YDUQ3), 18% para Ânima (ANIM3) e 1% para Cogna (COGN3) em relação ao valor de mercado atual, com base nesse programa.

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Ainda assim, o Goldman Sachs apontou que não esperava uma reação relevante das ações, pois acredita que o mercado não havia precificado a materialização desse opcional. O banco lembra que já vinha esperando uma racionalização do programa após a autorização de 4.500 novas vagas por decisões judiciais nos últimos 18 meses.

O Goldman Sachs também destaca que, desde abril de 2025, o MEC vem demonstrando preocupações com a qualidade dos médicos formados diante da expansão descontrolada das vagas, o que foi posteriormente corroborado por resultados fracos no ENAMED, indicador que avalia o desempenho de cursos e instituições de ensino superior. O Goldman Sachs não projeta a publicação de uma nova portaria do Mais Médicos no curto prazo, uma vez que o estoque atual de vagas é mais do que suficiente para atingir a meta da OCDE de 3,5 médicos por mil habitantes até 2030.

O Bradesco BBI, por sua vez, avalia que o encerramento do programa Mais Médicos 3 é levemente negativo para as empresas listadas, por eliminar potenciais vetores de valorização ligados à abertura de novas vagas. Por outro lado, a medida também reduz o risco de pressão adicional sobre preços. O banco destaca que seus modelos não consideravam a criação de novas vagas pelo MM3, de modo que não há impacto sobre seus preços-alvo.

A instituição afirma que já esperava uma redução do escopo do programa, conforme relatórios anteriores, embora seu cenário pessimista ainda contemplasse cerca de mil vagas a serem disputadas pelas companhias listadas. Nesse contexto, Ser Educacional (SEER3), Ânima e Yduqs apareciam como as empresas com maior risco de alta, com potenciais de 14%, 9% e 6% do valor de mercado, respectivamente.

O BBI também observa que todas as companhias listadas tiveram pedidos de vagas via ações judiciais negados, o que poderia ser revertido, como já ocorreu com outras instituições. Ânima e Ser seguem com o maior risco de alta, com oito e seis solicitações indeferidas, respectivamente, o que equivaleria a cerca de 480 e 360 vagas, considerando uma média de 60 vagas por pedido.

Na avaliação do Itaú BBA, a redução na abertura de novas vagas em medicina tende a criar um ambiente competitivo mais saudável. Por um lado, a decisão limita os planos de expansão das companhias que buscavam aumentar sua exposição ao ensino médico de graduação por meio do processo do Mais Médicos III. Por outro, o cancelamento elimina um possível excesso relevante de oferta.

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Ânima (ANIM3)

O Goldman Sachs mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 5,50 para 12 meses, baseado em uma metodologia de fluxo de caixa livre para a firma (FCFF) em 10 anos, que considera WACC médio de 16% e crescimento na perpetuidade de 3%.

Entre os principais riscos de queda, o banco aponta que, embora veja a Ânima como uma história de geração de caixa daqui para frente, a alavancagem ainda é elevada em comparação aos pares, tornando a alta dos juros um risco relevante para os lucros.

Cogna (COGN3)

O Goldman reiterou classificação de compra, com preço-alvo de R$ 5,00, também baseado em um FCFF de 10 anos, com WACC médio de 12,5% e crescimento na perpetuidade de 3%.

O banco aponta como principais riscos uma geração de caixa abaixo do esperado, maior evasão e menor captação no ensino a distância, deterioração da provisão para devedores duvidosos e possíveis efeitos negativos do novo marco regulatório do EAD.

Yduqs (YDUQ3)

O Goldman Sachs mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 15. Entre os riscos de alta estão: (i) crescimento de captação e do ticket médio acima do esperado no ensino a distância e presencial; e (ii) geração de caixa operacional mais forte devido a melhores tendências de recebíveis.

Já os principais riscos de queda incluem: (i) PDA abaixo do esperado; (ii) investimentos maiores em publicidade; (iii) geração de caixa operacional inferior ao previsto; e (iv) nova alta de juros, pressionando estimativas de lucro por ação e guidance para 2025.

Afya

O banco manteve recomendação de venda, com preço-alvo de US$ 16 para 12 meses, com base em um FCFF de 10 anos que considera WACC médio de 12% e crescimento na perpetuidade de 4%.

Entre os riscos de alta, o banco cita possíveis aquisições e um ambiente de preços mais favorável no médio prazo, que poderia impulsionar o crescimento orgânico da receita e a expansão de margens.

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