Petrobras, PRIO, Brava: quais são preferidas do BBI após alta das ações com petróleo?

Petrobras. Navio-sonda Valaris DS-17 ancorado para manutenção na Baía de Guanabara (RJ). A Equinor ASA Brasil concedeu à Valaris para seus campos de exploração de petróleo em águas ultraprofundas. Fotógrafo: Dado Galdieri/Bloomberg

O Bradesco BBI revisou para cima suas estimativas para o preço do petróleo e elevou os preços‑alvo das principais petroleiras da América Latina, após o cessar‑fogo temporário entre Estados Unidos e Irã reduzir, ainda que de forma limitada, parte das incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Apesar disso, o banco optou por manter inalteradas as recomendações para as ações, alegando que o mercado já precificou boa parte do cenário mais construtivo para a commodity.

A nova curva de preços do Brent passou a considerar US$ 85 por barril em 2026, ante US$ 63 anteriormente, US$ 80 em 2027 e US$ 70 no longo prazo, refletindo impactos estruturais do conflito, como maior dificuldade para religar poços, custos mais elevados de logística e seguros, além de mudanças duradouras nas rotas globais de oferta.

Com a revisão, o banco elevou os preços‑alvo de todas as empresas de exploração e produção (E&P) sob cobertura. Ainda assim, reforçou que apenas os papéis com potencial de valorização acima de 20% e crescimento robusto mantêm recomendação de compra.

Petrobras segue neutra

No caso da Petrobras (PETR4), o BBI elevou o preço‑alvo para US$ 19 por ADR, equivalente a R$ 50 por ação (ante valor anterior de R$ 44(, mas manteve a recomendação neutra.

Segundo o relatório, a estatal se destaca pela proteção contra a volatilidade do petróleo via política de preços domésticos e por um “sweet spot” do Brent entre US$ 80 e US$ 90, que favorece a geração de caixa sem intensificar ruídos políticos. A expectativa é de dividend yield de 6,5% em 2026, acima da média dos pares emergentes, mas ainda insuficiente para justificar uma recomendação mais otimista.

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A PRIO (PRIO3) teve o preço‑alvo elevado para R$ 69, ante R$ 58, refletindo ajustes na curva de produção e no campo de Wahoo. Ainda assim, o banco manteve recomendação neutra, citando valorização recente do papel e potencial de retorno total de cerca de 18%.

Já a PetroReconcavo (RECV3) teve o preço‑alvo elevado para R$ 16, de R$ 15, mas segue como a menos atrativa entre as juniors, segundo o BBI, devido ao impacto dos hedges, que limitam a exposição ao petróleo em 2026.

Preferidas seguem Vista, YPF e Brava

Entre as ações com recomendação outperform, o destaque segue sendo a Vista Energy (VIST), cujo preço‑alvo subiu para US$ 90, incorporando a aquisição de ativos da Equinor na Argentina e um crescimento mais acelerado da produção. O banco vê potencial de alta de cerca de 35%, além de geração consistente de caixa livre nos próximos anos.

A YPF (YPF) teve o preço‑alvo elevado para US$ 52, com upside estimado em 20%, sustentado pela recuperação do upstream e pela melhora do cenário macroeconômico argentino, apesar da exposição maior ao refino.

Já a Brava Energia (BRAV3) teve o preço‑alvo elevado de R$ 24 para R$ 27, impulsionado por uma expectativa de forte aumento do Ebitda em 2027, quando os efeitos dos hedges diminuem. O banco vê potencial de geração de caixa expressivo, mantendo assim recomendação outperform.

O Bradesco BBI destaca ainda que países como Brasil e Argentina tendem a se beneficiar de mudanças estruturais nas rotas globais de petróleo, por não dependerem do Estreito de Ormuz. Esse fator pode sustentar prêmios maiores para óleos da região mesmo após o fim do conflito. Por outro lado, reforça que a volatilidade segue elevada e que novas revisões dependerão da duração do cessar‑fogo e do desfecho das negociações diplomáticas.

Como a guerra no Irã afetou o mercado
Ativo Preço 27/02 Preço 16/04 Variação (%)
Petróleo WTI (US$) 67,02 92,38 37,84%
Petróleo Brent (US$) 72,48 89,19 23,05%
Ibovespa (pontos) 188.787 197.738 4,74%
PETR4 (R$) 39,33 46,89 19,22%
S&P 500 (pontos) 6.878,88 7.022,95 2,09%
Última atualização: 16/04/2026 06:00

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