JPMorgan rebaixa Banrisul para venda com expectativa de piora na qualidade dos ativos

O JPMorgan rebaixou a recomendação do Banrisul (BRSR6) de neutra para underweight (equivalente à venda), com preço-alvo de R$ 15 por ação para dezembro de 2026, citando dúvidas do mercado sobre uma possível deterioração mais estrutural do crédito. Às 11h14, as ações do banco caíam 2,22%, cotadas a R$ 16,28.

Segundo o analistas, o rebaixamento está baseado em três fatores principais. O primeiro é a expectativa de piora na qualidade dos ativos, com aumento das provisões e elevação do custo de risco para 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027, ante 2,0% no ano anterior. Dados do Banco Central indicam deterioração relevante da inadimplência no Rio Grande do Sul desde 2024, especialmente entre pessoas físicas e empresas, acima da média do sistema financeiro.

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O segundo ponto é a incerteza sobre a renovação do contrato com o governo estadual. Segundo reportagens, o valor mínimo da renovação pode chegar a R$ 1,2 bilhão, montante equivalente a cerca de 16% do valor de mercado do banco.

Em terceiro lugar, o JPMorgan destaca desafios estruturais de eficiência, considerando a dificuldade de bancos estatais em competir com instituições digitais, que operam com estruturas mais enxutas. Nesse contexto, o banco projeta retorno sobre patrimônio (ROE) ao redor de 11% entre 2026 e 2027, com lucro pressionado e queda estimada de 22% em 2026, ainda que influenciada por uma base forte em 2025.

Itaú segue como principal escolha no setor

Entre os grandes bancos, o Itaú (ITUB4) continua sendo o principal destaque, com qualidade de ativos superior aos pares e rentabilidade elevada, enquanto o Santander Brasil (SANB11) também é visto de forma positiva, ainda que com crescimento mais moderado. Já o Bradesco (BBDC4) deve apresentar um trimestre mais neutro, com trajetória gradual de melhora operacional.

Por outro lado, o Banco do Brasil (BBAS3) permanece com recomendação neutra, diante de um cenário mais desafiador, com pressão sobre resultados e maior necessidade de provisões, especialmente no crédito rural.

O JPMorgan também reforça visão construtiva para bancos digitais, com recomendação overweight (equivalente à compra) para Nubank (ROXO34) e Inter (INBR32)

Para o Nubank, a casa segue positiva diante do forte crescimento de crédito e rentabilidade elevada, projetando ROE próximo de 30%, apesar de estimar resultados ligeiramente abaixo do consenso no curto prazo. O Inter também aparece entre os preferidos, com crescimento robusto da carteira, embora com alguma pressão de risco e margens.

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