Juros futuros curtos sobem com PIB forte e dúvidas sobre ciclo de corte da Selic

SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) – As taxas dos ⁠DIs de curto prazo fecharam a sexta-feira com altas após dados mostrarem aceleração ⁠do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre, com crescimento do consumo das famílias, o que reforça ‌as dúvidas sobre o tamanho do ciclo de cortes da Selic.

Já as taxas de longo prazo terminaram o dia com leve viés negativo, em sintonia com a queda dos rendimentos dos Treasuries em meio à expectativa de ‌um acordo entre EUA e Irã.

No fim da tarde, a taxa dos Depósitos Interfinanceiros (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,9%, em alta de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,825% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,975%, com baixa de 3 pontos-base ante o ajuste de 14%.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre ⁠de 2026 ‌ante os três meses anteriores, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de 2025. Economistas ouvidos pela ⁠Reuters projetavam avanço de 1,0% no primeiro trimestre deste ano. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,8%, em linha com a expectativa.

Entre os destaques positivos está o consumo das famílias, que cresceu 1,0% de janeiro a março, acelerando ante a taxa de 0,2% registrada no trimestre anterior. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil foi um dos fatores favoráveis à alta ​do consumo.

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Após os dados, analistas pontuaram que o aquecimento do consumo das famílias torna o cenário para controle da inflação ainda mais desafiador para o Banco Central, ainda que uma desaceleração no crescimento da economia no ​segundo trimestre seja esperada.

Na prática, o PIB reforçou as preocupações com a inflação, colocando em dúvida a continuidade do ciclo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,50% ao ano, nos próximos meses.

‘Os primeiros sinais aqui para o segundo trimestre são de uma desaceleração importante (da atividade), talvez um crescimento mais próximo de zero, mas de qualquer forma (o PIB do primeiro trimestre) é um bom resultado para esse início de ano e que ajuda — acho que ‌não a aumentar, mas a manter — a preocupação do Banco Central em relação ​à inflação’, avaliou Carlos Lopes, economista do banco BV.

Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2028, um dos mais negociados na sessão, atingiu a máxima de 13,955% (+13 pontos-base) às 11h37, na esteira dos dados do PIB.

No exterior, as atenções se voltaram novamente para o ⁠Oriente Médio. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou ​em uma publicação nas redes ​sociais que tomará ainda nesta sexta-feira uma decisão final sobre um acordo entre EUA e Irã, enquanto uma fonte iraniana disse que um entendimento ⁠político entre os dois países ainda não foi finalizado.

Os investidores ​globais se apegaram à possibilidade de um acordo, o que se traduziu na alta das ações e na queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries. Isso trouxe certo alívio para as taxas dos DIs de longo prazo, geralmente mais sujeitas à influência externa.

Às ​16h38, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 1 ponto-base, a 4,447%.

Pela manhã, sem efeitos na curva, o Banco Central informou que a dívida bruta ​brasileira como proporção do PIB subiu ⁠de 80,0% em março para 80,4% em abril, quase em linha com os 80,3% projetados em pesquisa da Reuters. O setor público consolidado registrou um ⁠superávit primário de R$24,624 bilhões em abril, acima dos R$22,0 bilhões projetados.

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Internamente, o mercado também seguiu atento aos desdobramentos da decisão dos EUA de designar como terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Para além das implicações políticas, ainda não estão claros os efeitos macroeconômicos e sobre as empresas que atuam no Brasil.

No início da tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o anúncio norte-americano e disse que o Brasil não aceita ser tratado como ‘moleque’.

(Edição de Pedro ​Fonseca)

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