Fluxo “gringo”: BBA vê fatores para saída do Brasil, mas segue otimista com gatilhos

Em relatório de estratégia, o Itaú BBA identificou três movimentos-chave guiando o humor dos investidores em relação à Bolsa brasileira neste início de ano, de acordo com a primeira edição de sua nova série de relatórios baseada em conversas com gestores locais e estrangeiros.

O primeiro ponto destacado é o interesse contínuo dos investidores internacionais no ciclo de afrouxamento monetário no país.

Mesmo com o início mais lento da queda de juros do que o esperado, com um corte de 0,25 ponto, a 14,75% ao ano, o Brasil segue sendo uma das poucas grandes economias em processo de corte de juros.

Por outro lado, segundo o banco, parte dos estrangeiros reduziu exposição ao país diante do ambiente geopolítico incerto e da pressão dos preços de energia, que pode influenciar expectativas de inflação. Nesse cenário, o Itaú BBA vê melhores oportunidades em empresas mais sensíveis aos juros – como shoppings, construtoras de baixa renda, bancos tradicionais e nomes ligados ao mercado de capitais – do que no setor de consumo.

O segundo eixo das discussões foi a volatilidade global. Com o avanço do conflito geopolítico e a disparada do petróleo, o Brasil tem se destacado como um dos “vencedores relativos” entre emergentes: caiu 5% desde o início das tensões, contra um recuo de 11,3% do índice de emergentes em dólar.

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Estrangeiros aumentaram posições em petróleo e utilities acompanhando o movimento das commodities, enquanto investidores locais, tradicionalmente menos expostos ao setor de óleo e gás, reduziram parte das posições em petroleiras e mantiveram overweight (exposição acima da média) em empresas de energia elétrica. O banco mantém postura neutra em Oil & Gas – com preferência por PRIO (PRIO3) e leve underweight (exposição abaixo da média) em Petrobras – e exposição relevante em Utilities, citando Axia (AXIA3), Eneva (ENEV3) e Copel (CPLE3) como beneficiárias de preços elevados de energia.

O terceiro destaque é o retorno gradual do investidor doméstico à bolsa. Após vender R$ 36 bilhões em ações no acumulado do ano, mesmo com resgates de R$ 7 bilhões, fundos institucionais começam a reverter parte da posição de caixa e enxergam valuations mais atrativos nas grandes empresas brasileiras.

A liquidez, porém, segue sendo prioridade, o que limita o apetite por small caps: enquanto o Ibovespa sobe 13,4% no ano, o índice de small caps avança apenas 2,9%. Já commodities seguem com interesse apenas tático – com alguns investidores vendo valor em Vale (VALE3) após a queda recente, enquanto Petrobras e PRIO permanecem como apostas derivadas do petróleo alto.

Na visão do Itaú BBA, o momento favorece nomes de grande capitalização domésticos, especialmente bond proxies e cíclicas internas, em meio a preços mais descontados e ao retorno gradual da demanda por ações no mercado local.

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